domingo, 27 de novembro de 2011

Pessimismo

O começo é sempre divertido pra maioria das pessoas. Expectativas, curtição, novidades. Pra mim não. Pra mim sempre foi diferente. Não sei onde meu otimismo sobre relacionamentos se perdeu. A verdade é que eu não consigo mais ser aquela sonhadora de sempre.
Aceitei de uma vez por todas que príncipes encantados não existem e fiz questão de vestir uma capa de dureza sempre que assistia a uma comédia romântica (sim, sempre fui vulnerável a comédias românticas.).

Hoje meus amigos me criticam por essa visão mais fria do que chamam de amor e eu não consigo, sequer, curtir quando surge uma nova paixonite. Me encho de perguntas sobre como vai ser se eu me ferrar. Fico dividida. Sinto como se uma parte de mim estivesse incontida de vontade de se entregar e viver tudo de bom que possa acontecer, sem medo de se ferrar, disposta a arcar com as consequências ruins, desde que se permitisse viver os momentos bons. Um outro lado, mais sensato e menos fora da realidade, fica tentando decifrar cada passo do meu objeto de desejo, imaginando cada coisa ruim que ele pode fazer, como se pudesse antever um sofrimento em potencial.
Ainda não vivi uma estória que fosse só felicidade, na qual eu não saísse machucada no final ou na qual não houvesse final. Talvez por falta de sorte. Talvez porque não exista mesmo. Mas é inegável que todas, eu disse todas as vezes que o meu lado sonhador se permitiu viver e aproveitar as coisas boas, não houveram coisas ruins que o tenham freado ou desanimado. As pessoas vão, as lembranças POSITIVAS ficam. E dessa vez não vai ser diferente. A menos que a pessoa deseje ficar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Antagonismo

O dinheiro move o mundo, move as relações, conduz as escolhas... Infelizmente a nossa sociedade é por demais materialista. Egoísmo é a palavra da vez. O coletivo deu lugar ao individual. É isso, o indivíduo é o que importa. No fim das contas, o que importa é ter dinheiro e ponto. Pra viajar, pra adquirir bens materiais, pra gastar com qualquer coisa...

Do outro lado, pessoas passam fome e R$5,00 é uma fortuna. Tudo o que pensam em comprar é comida e luxo é ter uma coca cola pro almoço no domingo. Roupas e bens materiais são recauchutados até o último suspiro. Viagem é passar um sabado na praia com uma garrafa de água congelada e um saco de Fofura.

Me pergunto, então, como aquele sujeiro endinheirado consegue respirar aliviado sabendo que alguém passa fome e ele não faz nada pra mudar isso. Não entendo como ele consegue dormir, sabendo que em algum lugar do mundo uma criança vai dormir chorando por não ter o que comer e sua mãe vai passar a noite acordada, se sentindo uma inútil por não poder alimentar seu próprio filho. É inexplicável, como as pessoas conseguem ignorar que muitos precisam de ajuda. De que adianta ter posses e bens materiais se isso em nada abençoa a vida de quem realmente precisa?

Reflita.

Duvidas

Mulher que é mulher tem o dia das dúvidas. Pois bem, começa o dia sem saber com que roupa sair. A blusa que ficou MA-RA-VI-LHO-SA semana passada está horrível. E o cabelo? Ah, o cabelo. Depois de cinquenta penteados diferentes, ela resolve sair com um rabo de cavalo. Outro parto é na hora da maquiagem. Rímel incolor, preto ou colorido? Blush mais forte ou mais fraco? Gloss, batom ou os dois. No fim das contas ela vai sem blush e sem batom. Quase tem um AVC quando vê que a unha do dedo mindinho está descascando na ponta esquerda. (Como se alguém fosse reparar nessa parte do dedo.)

Depois de tudo isso ela tem que responder uma prova com 20 questões de multipla escolha. Tá de sacanagem? 20? E ela não conseguia escolher entre batom ou gloss!!

No fim do dia, ao papear com a amiga, o assunto é relacionamentos. Se mata, querida. Se você acha que tinha dúvidas, agora você vai descobrir o que é não saber o que responder.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Desde pequena ouvi que haveria um príncipe encantado e um final feliz. Diziam mais: que ele (o príncipe) não teria defeitos e que eu me apaixonaria por perdidamente. Cresci à espera desse cara. Ninguém se encaixava nesse padrão. Nunca encontrei ninguém que fosse perfeito e muito menos me apaixonei perdidamente.

Achava que o defeito era comigo. Tinha que haver algo errado. Muitas pessoas já tinham encontrado o seu 'felizes para sempre', haveria eu de encontrá-lo, também, em algum lugar. Em vez de conhecer um cara lindo, inteligente, carinhoso, sensível e solteiro, eu descobri que os 'felizes para sempre' que eu conhecia nem eram tão felizes assim.

Relacionamentos se desfazem na mesma velocidade em que roedores se reproduzem. Ninguém é essencialmente perfeito. Ninguém consegue conviver sem problemas. O que se consegue, de fato, é contorná-los no dia-a-dia com muito bom humor e carinho. Ainda assim se os dois quiserem muito.

Aprendi também que relacionamentos não funcionam só porque as pessoas querem e sim porque os dois fazem funcionar.

Mas a lição mais importante que eu aprendi foi que o meu final feliz sou eu que faço. Não posso colocá-lo nas mãos de ninguém. Pessoas vem e vão, assim como os sentimentos. Mas um 'pra sempre' não pode depender de circunstâncias assim tão efêmeras.

sábado, 12 de novembro de 2011

Mentiras por um bem maior

Certa vez eu estava tentando colocar minha pequena sobrinha para dormir. Seus pais haviam saído e naquela noite eu estaria responsável por ela e seus irmãos. Antes de dormir a pequena começou a perguntar pela mãe, querendo saber se ela voltaria. Não gosto de mentiras nem de mentir, principalmente quando se trata de falar algo para uma criança de apenas três anos, no início da formação de seu caráter.

Pois bem, respondi que seus pais não voltariam naquele dia, mas que no outro dia ela poderia revê-los. Ela me contradisse e afirmou veementemente que sua mãe estaria, sim, chegando e que ela permaneceria acordada até que ela aparecesse no portão. Continuei a versão verdadeira sem ser cruel e ela começou a chorar e a tentar acreditar na mentira que ela mesma havia inventado.

No fim das contas a minha mãe apareceu e falou para a pequena que a mãe dela estava chegando e que ainda traria sorvete, mas que ela tinha que dormir, pq ia demorar um pouco. A menorzinha acalmou e dormiu perfeitamente naquela noite. Quando acordou sua mãe ainda não havia chegado, mas ela não lembrava nada sobre a noite anterior. Se minha mãe não tivesse contado pra ela aquela mentira, ela não teria dormido (e muito menos eu!).

Esse fato me levou a uma reflexão.Existem algumas pessoas que agem dessa forma e precisam de algumas belas mentiras pra viver e até que essas sejam contadas elas não sossegam. Enquanto a sua 'realidade' não esteja montada elas não ficam em paz e nem deixam que as outras pessoas fiquem. São mentiras para segurar um relacionamento, para manter um dia belo, para estruturar outras mentiras... São mentiras que as pessoas querem ouvir. É querer acreditar que tudo está ótimo quando nada anda bem e exigir que as outras pessoas ajam como se as coisas nunca tivessem sido melhores.

A sensação que eu tenho quando vejo uma situação nesses moldes é que se está inventando uma história com personagens reais, aos quais não se tem o direito de manipular nem de prender na sua realidade.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Personificação

Personificação é uma figura de linguagem utilizada quando se atribui sentimentos ou personalidade a um objeto inanimado. Quando a gente gosta de alguém, tudo vira amuleto. A tudo a gente atribui um pouquinho daquele (a) que nos faz sorrir.
Atualmente eu sinto falta de algumas pessoas e tudo o que eu tenho delas são alguns objetos e boas lembranças, que estão atrelados entre si. Cd's, DVD's, canetas... A verdade é que no fim das contas eu não consigo mais desapegar de determinado objeto e fico ruminando as informações que ele me passa, como se estivesse adquirindo por osmose um pouquinho das experiências e sentimentos daquela pessoa. Eu sei, eu sei. É loucura e eu tenho que parar com isso. Mas o que eu posso fazer se nesse momento tem um DVD na minha cama, do meu lado? Ces't la vie...

sábado, 5 de novembro de 2011

[IN]Certezas

Tem dias que todas as minhas certezas, tal como a chuva numa tarde de verão, vão embora de súbito, deixando permanecer apenas as dúvidas que sempre pairaram sobre a minha cabeça. Ontem eu sabia onde estava e o que eu tinha, hoje já não sei mais. Ontem seu olhar me dizia que tudo ia ficar bem e, não importava o que acontecesse, teria o seu reconfortante abraço. E hoje? O que eu tenho?
Achei que estava segura, achei que tinha um caminho paralelo durante essa trajetória pelo qual eu poderia voltar sem sofrer maiores danos, mas vejo que me enganei. Não existe caminho de volta, não há mais como sair ilesa. Tudo mudou sem que eu ao menos percebesse. Fecho os olhos e apenas vejo o que eu não tenho. Séria ilusão de quem, por um minuto, pensou que teria aquilo que nunca será seu.